Em alusão ao Agosto Lilás, campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher, a Câmara Municipal de Picada Café recebeu, durante a sessão ordinária do dia 11 de agosto, a participação do delegado da Polícia Civil de Nova Petrópolis, Fábio Idalgo Peres.
Além de atuar como delegado, Fábio também exerce a função de presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (COMDICA) de Nova Petrópolis. Durante sua participação na Tribuna, a autoridade abordou a importância da prevenção, da denúncia e do fortalecimento das redes de apoio no combate à violência contra a mulher.
Em sua explanação, o delegado apresentou o trabalho desenvolvido na Sala das Margaridas, espaço instalado junto à Polícia Civil de Nova Petrópolis destinado ao acolhimento de mulheres e crianças vítimas de violência. Segundo Fábio, o ambiente foi planejado para oferecer mais segurança e conforto durante os atendimentos, inclusive com a disponibilização de brinquedos para que as crianças também se sintam acolhidas no momento da escuta.
Os casos registrados no município de Picada Café são encaminhados para atendimento em Nova Petrópolis. Conforme informado pelo delegado, até o mês de agosto deste ano, foram instaurados 12 inquéritos relacionados a situações de violência e também houve o registro de uma tentativa de feminicídio no município vizinho.
Fábio Idalgo é responsável pela realização da escuta especializada na Sala das Margaridas, momento destinado à coleta de informações e provas de forma individualizada, respeitando a realidade e as necessidades de cada mulher atendida. “Mesmo sendo uma sala bonita, é uma sala de sofrimento, de dor. As pessoas choram lá dentro”, destacou o delegado ao reforçar a importância de um atendimento humanizado.
Durante a fala, a autoridade ressaltou ainda a necessidade da construção e do fortalecimento de uma rede de apoio dentro dos municípios, com atuação conjunta entre os diferentes setores e a Polícia Civil. Segundo ele, também é fundamental a atualização e ampliação das políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher.
Ciclo da Violência Doméstica
O delegado também explicou o funcionamento do ciclo da violência doméstica, que muitas vezes impede que a vítima consiga romper a situação vivenciada, principalmente pelo medo, pela dependência emocional, pela preocupação com a família e pela tentativa de preservar a vida que construiu.
O ciclo é dividido em três fases:
1. Fase de Tensão
É o momento em que começam os conflitos e surgem os primeiros sinais de violência. O agressor pode apresentar comportamentos como:
Críticas constantes;
Controle sobre a vida da mulher;
Ciúmes excessivos;
Ameaças, humilhações ou intimidações.
Nesta fase, muitas vítimas tentam evitar conflitos e procuram acalmar a situação para impedir que a violência se intensifique.
2. Fase da Agressão
É quando ocorre a violência, que pode se manifestar de diferentes formas:
Física: empurrões, socos e agressões;
Psicológica: ameaças, humilhações e manipulações;
Sexual;
Patrimonial;
Moral.
Esse momento costuma gerar medo, sofrimento e a sensação de perda de controle sobre a própria vida.
3. Fase da Reconciliação
Também conhecida como “lua de mel”, ocorre após a agressão, quando o agressor demonstra arrependimento, pede desculpas, promete mudanças ou busca compensar o ocorrido com atitudes afetuosas.
Nesse momento, a vítima pode acreditar que a situação irá melhorar. Entretanto, em muitos casos, o ciclo retorna novamente à fase inicial, podendo se repetir continuamente.
Sinais de alerta
Fábio Idalgo também destacou alguns sinais que merecem atenção e podem indicar uma situação de violência doméstica:
Controle e ciúmes excessivos;
Humilhações e desvalorização;
Isolamento da vítima;
Ameaças e intimidações;
Controle financeiro;
Mudanças de comportamento.
Ao finalizar sua participação, o delegado reforçou que a Sala das Margaridas está sempre de portas abertas para acolher e orientar todas as pessoas que necessitarem de apoio.
A violência doméstica não começa, necessariamente, com uma agressão física. Muitas vezes, ela tem início por meio de comportamentos de controle, manipulação e desrespeito, que podem se intensificar ao longo do tempo.
A Câmara Municipal de Picada Café reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos das mulheres e destaca a atuação da Procuradoria Especial da Mulher, um espaço de acolhimento, orientação e escuta. Em caso de necessidade, procure os pontos de apoio disponíveis no município ou entre em contato pelo Disque 180.